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sexta-feira, 12 de março de 2010

UNESP 2010


Pensar em nada

A maravilha da corrida: basta colocar um pé na frente do outro.
Assim como numa família de atletas um garoto deve encontrar
certa resistência ao começar a fumar, fui motivo de piada
entre alguns parentes – quase todos intelectuais – quando souberam
que eu estava correndo. “O esporte é bom pra gente”, disse
minha avó, num almoço de domingo. “Fortalece o corpo e emburrece
a mente.”
Hoje, dez anos depois daquele almoço, tenho certeza de que
ela estava certa. O esporte emburrece a mente e o mais emburrecedor
de todos os esportes inventados pelo homem é, sem sombra
de dúvida, a corrida – por isso que eu gosto tanto.
Antes que o primeiro corredor indignado atire um tênis em
minha direção (número 42, pisada pronada, por favor), explicome.
É claro que o esporte é fundamental em nossa formação.
Não entendo lhufas de pedagogia ou pediatria, mas imagino que
jogos e exercícios ajudem a formar a coordenação motora, a percepção
espacial, a lógica e os reflexos e ainda tragam mais outras
tantas benesses ao conjunto psico-moto-neuro-blá-blá-blá.
Quando falo em emburrecer, refiro-me ao delicioso momento do
exercício, àquela hora em que você se esquece da infiltração no
teto do banheiro, do enrosco na planilha do Almeidinha, da extração
do siso na próxima semana, do pé na bunda que levou da
Marilu, do frio que entra pela fresta da janela e do aquecimento
global que pode acabar com tudo de uma vez. Você começa a
correr e, naqueles 30, 40, 90 ou 180 minutos, todo esse fantástico
computador que é o nosso cérebro, capaz de levar o homem
à Lua, compor músicas e dividir um átomo, volta-se para uma
única e simplíssima função: perna esquerda, perna direita, perna
esquerda, perna direita, inspira, expira, inspira, expira, um, dois,
um, dois.
A consciência é, de certa forma, um tormento. Penso, logo
existo. Existo, logo me incomodo. A gravidade nos pesa sobre
os ombros. Os anos agarram-se à nossa pele. A morte nos espreita
adiante e quando uma voz feminina e desconhecida surge
em nosso celular, não costuma ser a última da capa da Playboy,
perguntando se temos programa para sábado, mas a mocinha do
cartão de crédito avisando que a conta do cartão “encontra-se
em aberto há 14 dias” e querendo saber se “há previsão de pagamento”.
Quando estamos correndo, não há previsão de pagamento.
Não há previsão de nada porque passado e futuro foram anulados.
Somos uma simples máquina presa ao presente. Somos
reduzidos à biologia. Uma válvula bombando no meio do peito,
uns músculos contraindo-se e expandindo-se nas pernas, um ou
outro neurônio atento aos carros, buracos e cocôs de cachorro.
Poder, glória, dinheiro, mulheres, as tragédias gregas, tá
bom, podem ser coisas boas, mas naquele momento nada disso
interessa: eis-nos ali, mamíferos adultos, saudáveis, movimentando-
nos sobre a Terra, e é só.
(Antonio Prata. Pensar em nada. Runner’s World, n.° 7,
São Paulo: Editora Abril, maio/2009.)

sábado, 12 de julho de 2008

Correr para ser mais feliz


Era esse aqui que eu estava procurando...... Lí na revista O2 e retirei do site da Race.


Corra para toda a vida


Todos nós que praticamos a corrida sabemos dos inúmeros benefícios que essa atividade física traz para a nossa saúde. Entretanto, não é só isso que ganhamos quando incorporamos a corrida no nosso dia-a-dia. Além dos benefícios físicos, a corrida contribui, e muito, para o nosso bem estar psicológico.Quantas vezes o nosso mundo parece “cinzento” e se transforma completamente após percorremos alguns quilômetros? O bem estar psicológico está relacionado à sensação que temos após correr, que nos dá disposição para enfrentar nossa maratona de atividades diárias.Algumas pessoas já ouviram falar em um fenômeno chamado de “clímax do corredor”, que é definido como uma euforia experimentada durante a corrida, na qual o corredor tem uma sensação aumentada de bem estar. Pesquisas evidenciam que o bem estar psicológico é resultado de uma interação entre mecanismos fisiológicos e psicológicos. Em relação às explicações fisiológicas, estão: o aumento do fluxo sanguíneo cerebral, aumento no consumo máximo de oxigênio e liberação de oxigênio para os tecidos cerebrais, redução na tensão muscular, entre outras.Em relação aos benefícios psicológicos é possível observar uma série de mudanças de comportamento na pessoa que pratica a corrida.Um dos maiores benefícios para o corredor é o aumento na sua autoconfiança. Sabemos que a confiança é produto do nosso sucesso, ou seja, as pessoas não nascem confiantes, elas aprendem e desenvolvem a autoconfiança em diversas situações de sua vida. Quando alguém começa a treinar e percebe uma melhora expressiva em seu rendimento, sente-se mais confiante. Esse sentimento de autoconfiança proporcionado pela corrida acaba se estendendo e beneficiando outros setores da sua vida, ou seja, essa pessoa começa a se sentir mais confiante, tanto na vida profissional como nos relacionamentos familiar, social e até mesmo afetivo. A corrida também transforma o nosso corpo, ou seja, o corredor que treina regularmente diminui o percentual de gordura e aumenta o tônus muscular. Essa transformação se reflete numa melhora de auto-imagem e trará diversas conseqüências positivas para a nossa vida. A melhora nas interações sociais também é um benefício que a corrida proporciona. Ou seja, através da corrida temos a oportunidade de conhecer e conviver com pessoas e assim fazer amigos. Em ocasiões de treinamentos e provas, os corredores se encontram, se conhecem e às vezes fazem amizades que podem durar por toda a vida.Muitos estudos mostram que a corrida, assim como outras atividades físicas, é fundamental no alívio de sintomas em casos de depressão, ansiedade e outros transtornos. Muitas vezes ela é receitada por médicos e psicoterapeutas para auxiliar no tratamento de alguns casos.Entretanto, para que esse bem estar proporcionado pela corrida possa ser experimentado pelo corredor é preciso que ela faça parte de sua vida. Às vezes, todos esses benefícios psicológicos trazidos pela corrida só aparecerão quando realmente ela se tornar parte de sua vida e for praticada com assiduidade. Para isso é importante que você tenha metas e objetivos definidos e se lembre de todas as mudanças positivas que a prática regular da corrida poderá trazer para a sua vida. Isso trará motivação para não faltar aos treinos e presistir. E nunca se esuqeça de corer para ser mais feliz ! ( Sâmia Hallage )


Um abraço

Luis Augusto

Sexo e corrida



Eu estava procurando um texto na internet e acabei encontrando esse aqui que nada tem com o que procurava mas eu gostei. Retirei do site da revista O2.




Hormônios do bem-estar que se espalham pelo corpo durante a corrida são os mesmos liberados na relação sexual

Por Nanna PrettoSexo e corrida é a combinação perfeita para o bem-estar no dia-a-dia. Ambos liberam endorfina e têm uma relação direta com o estado de humor da pessoa. O diagnóstico é do médico Alfonso Massaguer, ginecologista e obstetra do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP e especialista em reprodução humana pelo Instituto Universitário Dexeus de Barcelona.“Quem faz sexo pode ter um desempenho melhor na corrida, assim como quem corre pode melhorar a atividade sexual. Os dois caminhos farão bem para a alma e é isso que importa”, diz Massaguer.Ele explica que a endorfi na, estimulada pela corrida, é responsável pela sensação de bem-estar. Sentido-se bem e mais saudável, o indivíduo melhora a auto-estima, o que gera o aumento da libido. Ou seja, após fazer sexo, o treino tende a ser muito bom e o corredor estará mais relaxado. A recíproca também é verdadeira, explica Ronaldo Pamplona da Costa, médico psiquiatra e psicoterapeuta sexólogo. “O exercício movimenta o corpo e gera bem-estar. Com o corpo mais transado e mais energizado, o desejo sexual aumenta”.“O sexo melhora o humor, e o desempenho sexual alivia a tensão. O indivíduo fica mais feliz”, explica a psicóloga esportiva do Hospital do Coração de São Paulo (HCor) Roberta Lobato. A especialista ressalta que a auto-estima elevada ajuda, também, na diminuição da vergonha. “O corpo fica mais bonito, a pessoa sente-se melhor e, conseqüentemente, mais solta na cama”. A receita mágica vale para aquelas pessoas mais tímidas, que têm vergonha do parceiro ou da parceira. “Isso acontece, em geral, com as mulheres. Quando elas começam a correr e ficam com um corpo legal, ficam mais desinibidas”, diz a psicóloga Roberta.Foi o caso da enfermeira Adriana Romão, 36, mãe de dois filhos e casada há 11 anos, que sentiu a volta do prazer sexual após freqüentar os treinos de corrida. “Não é que eu não gostava de fazer sexo. Mas era uma sensação muito maior de obrigação do que de desejo sexual”, revela.A corrida veio por incentivo de uma amiga mais velha que começou a fazer atividade física para aliviar os sintomas da menopausa. “Em poucos meses, consegui emagrecer alguns quilos, minha pele ficou mais bronzeada – por conta dos treinos ao ar livre – e passei a me sentir mais à vontade para tirar a roupa e iniciar uma relação sexual”, diz Adriana. “Antes, eu esperava a iniciativa do meu marido”.Corpinho torneado“Correr não tira uma gota de feminilidade e sensualidade. Ao contrário, aproveitando os benefícios da corrida, elas podem tornarse mais sensuais”, afirma a psicóloga Roberta. “Além de melhorar o humor, o ânimo e o apetite em todos os sentidos, o exercício ainda proporciona um corpinho torneado, sem ser muito sarado, o que mantém a característica feminina e atrai o homem”.As mulheres, no entanto, sentem-se mais atraídas quando eles intensificam os exercícios dos músculos do quadríceps – e ganham “pernas de corredor” –, deixam o glúteo mais definido e os braços mais fortes, além de dar um fim na “barriguinha de chope” e nos “pneuzinhos”.“O homem terá mais força para segurá-la e mais força nas pernas. Isso, para a mulher, representa segurança e virilidade”, avalia Roberta.Comida para não secarExistem muitas mulheres que ficam psicologicamente abaladas com as mudanças que acontecem no corpo, principalmente, após um macrociclo de treinos pesados para uma maratona, por exemplo.“Algumas pacientes reclamam que emagreceram demais, outras também relatam que o seio murchou ou que o bumbum diminuiu. Tudo isso é falta de alimentação correta”, explica o ginecologista Massaguer. A falta de apetite sexual, segundo o médico, tem relação direta com a mudança do corpo. “Se o corpo não está legal, ela fica mais envergonhada e a libido diminui”.Para isso, o ideal é um bom acompanhamento nutricional para calibrar as quantidades de proteínas e carboidratos, evitando a perda de massa magra, ou seja, os músculos.Pessoas que praticam atividade física regular devem ter uma alimentação balanceada e diferenciada. E, pela natureza do gasto calórico, também precisam de mais proteínas que o recomendado normalmente, explica a nutricionista Patrícia Bertolucci, especializada em medicina do esporte pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).Para se libertar“Durante a educação, a mulher tende a ser mais reprimida sexualmente. Por mais moderno que o mundo possa parecer, ainda existe um grande tabu em relação à mulher que admite adorar sexo”, explica o sexólogo Costa. Uma mulher corredora aprende a se movimentar melhor, a usar o corpo e tem uma possibilidade maior de se liberar sexualmente. “Com um corpo mais trabalhado, a mulher terá mais vontade de ser vista e ser notada. Isso tende a despertar desejos e a torná-la mais solta sexualmente”, diz o terapeuta.Elas, saradas; eles, saudáveisEntre os homens, diz o sexólogo, a preocupação é maior com o corpo saudável do que com o corpo sarado. “A vaidade existe nos dois lados; entre homens e mulheres, eles e elas têm essa preocupação. Mas, em geral, elas priorizam a forma física, e eles, o bem-estar”, afirma Costa.Felizmente, uma coisa leva a outra. “Um corredor saudável, conseqüentemente, terá um corpo torneado, com músculos evidentes”, explica Roberta. “Dessa forma, eles passam a curtir um pouco mais o próprio corpo, rompendo aquele lugar comum de que homem não pode ter vaidade nem querer ser belo”, ressalta Costa. “A qualidade de vida a dois está diretamente ligada ao bem-estar físico. Correndo, o indivíduo se sente bem e, certamente, terá uma relação sexual melhor”, explica o psicanalista.
Um abraço
Luis Augusto

sábado, 5 de abril de 2008

Superatletas

Peguei no fórum do Pestana e achei muito interessante:

SUPERATLETAS: UMA NOVA DOENÇA
Assisti há pouco tempo uma reportagem no canal SporTV, era sobre super-atletas e o tema da reportagem era o seguinte: Superatletas, superação ou loucura? Fiquei muito impressionado com os relatos que vi e com o que pude conhecer por meio da reportagem com vários superatletas brasileiros. Cada um com sua história, seus dramas e sua luta incessante em alcançar metas.
Uma história me tocou de forma especial, tratou-se de um brasileiro de com, aproximadamente, 45 anos, superatleta muito bem preparado. Ele estava participando de uma ultramaratona no Vale da Morte. Para quem não conhece, é uma região desértica, na Califórnia – EUA, onde a temperatura está entre as mais altas do planeta e o índice de chuvas é quase zero. Era uma corrida de 140 quilômetros. Ele começou bem a prova e junto a ele, na rodovia, sua família seguia em um veículo climatizado, fornecendo hidratação e alimentos para o superatleta, além do suporte que necessitava para terminar a prova. Após várias horas correndo com um sol inclemente, ele continuava forte e bem animado, quando sua família, que seguia no veículo, começou a passar mal. Um dos ocupantes estava com uma emergência médica e precisava ser levado para o hospital imediatamente. Então, surge o grande dilema: parar ou não a corrida?
"No ano passado, um atleta europeu, esloveno, com mais de 50 anos, nadador experiente, principalmente em rios, encarou o Amazonas, da nascente, localizada no Peru, até seus limites, em Belém, onde o rio deságua no oceano Atlântico"
Depois do episódio angustiante e sob forte estresse o superatleta decidiu parar a prova e seguir com sua família para o hospital. Ele não conseguia esconder a decepção. Ficou arrasado e deprimido por ter desistido da prova. Meses se passaram, mas ele chora ao lembrar que não pode terminar a prova. Mal comenta a emergência médica de sua família, sentindo-se derrotado e punindo-se com a lembrança do abandono da prova.
No ano passado, um atleta europeu, esloveno, com mais de 50 anos, nadador experiente, principalmente em rios, encarou o Amazonas, da nascente, localizada no Peru, até seus limites, em Belém, onde o rio deságua no oceano Atlântico. Nadou uma distância de, aproximadamente, 5.000 km, em períodos de 13 a 15 horas por dia. Ao terminar a prova, estava tão enfraquecido que foi hospitalizado, com queimaduras na pele, desidratação, insuficiência renal, desnutrido e em surto psicótico.
“Convulsões durante as provas, cefaléias, acidente vascular cerebral são algumas das complicações médicas possíveis em superatletas”
Dois brasileiros participaram de uma prova ciclística atravessando os Estados Unidos em 13 dias e chegaram praticamente mortos. A prova é de 5000 km e o recordista terminou em 8 dias.
O conhecido comentarista e preparador físico Lauter Nogueira dá suporte a um superatleta brasileiro. Um senhor muito humilde de 53 anos. Durante as provas ele come sanduíches. Foi desagradável ver o Lauter Nogueira dar mistos-quentes para o atleta, que os ingeria com uma ou duas mastigadas. Este atleta realiza treinamentos diários “normais” de 8 ou 9 horas. Já participou de provas com o braço quebrado, nadando com um braço só. Recentemente participou do deca-triatlon.

Quem são os superatletas? Como podemos identificá-los?
Definirei, em linhas gerais, e espero que no futuro outros autores possam melhorar minha sinopse.
1 – São atletas que treinam três ou mais horas, por dia, todos os dias da semana. Não fazem pausas e nem tiram férias dos exercícios.
2 – Nos finais de semana, em treinamento normal, fazem longos de 6 horas, podendo chegar em 8 ou 9 horas diárias.
3 – Participam de provas com duração que ultrapassa 12 horas. Alguns participam de provas que duram dias.
4 – Não conseguem fazer uma pausa de 7 ou 10 dias, sem praticar esportes.
5 – Usam o trabalho apenas como meio para manter o esporte que pratica. Se pudessem, seriam profissionais do esporte.
6 – Usam a família ou amigos como o time de apoio. Negligenciam momentos familiares, contatos sociais e viagens que não sejam para o esporte.
7 – Vivem dedicados 24 horas para o esporte. Praticam exercício por muitas horas, alimentam-se e dormem. Todo o resto deixa de ser importante.
8 – Pensam obsessivamente nas provas, nos treinos a serem realizados compulsivamente e sempre ficam relembrando planilhas, tempos realizados e estratégias para provas cada vez mais difíceis.
Como surgem os superatletas?
Normalmente, são homens de mais de 35 anos, a maioria com mais de 40, que foram sedentários por alguns anos e iniciaram a prática de exercícios para manter a forma e perder peso. Então, começam a correr e logo querem participar de provas. Iniciam com provas de 5 ou 10 km e logo correm a São Silvestre. Depois de um certo tempo, vêm as maratonas. Alguns, não satisfeitos com as maratonas, começam a preparação para as provas de 70 ou 80 km. A próxima meta é 100 km, que representa um número mágico e fascina os superatletas. Depois vem todo o resto: ultramaratonas de até 300 km. Provas de ciclismo de 5.000 km, travessias de natação de 20 ou 30 km, entre outras.
Quais são as complicações médicas possíveis em um superatleta?
A – Sistema nervoso central: convulsões durante as provas, cefaléias, acidente vascular cerebral, sintomas psiquiátricos como transtorno obsessivo-compulsivo, surtos psicóticos podem ocorrer em provas muito longas, depressão e mal-humor em períodos de pausa do treinamento ou convalescença de lesões.
B – Aparelho cardiovascular: taquiarritmias como fibrilação atrial, parada cardio-respiratória, picos de hipertensão arterial. Falência miocárdica aguda e necrose tecidual por infarto agudo do miocárdio.
C – Metabolismo: desidratação grave, hiponatremia (sódio), hipotassemia (potássio), hipocalcemia (cálcio), hipomagnesemia (magnésio) e hipoglicemia severa. Não se hidratam adequadamente durante as provas por sentirem dores gástricas e por detestarem fazer pausas para urinar, que acham perda de tempo.
D – Aparelho locomotor: lesões musculares são bastante comuns, fascites plantares são extremamente comuns, lesões de tendões como tendinites e ruptura tendínea, fraturas de estresse em 69 % ocorrem em corredores de endurance, hérnias de disco lombares e cervicais são desenvolvidas pelos corredores de endurance, lesões de articulação do tornozelo, joelho e do quadril são bastante comuns e incapacitam os superatletas a continuarem sua prática. Joelhos, com lesões de ligamentos e de cartilagem, são bastante afetados.
E – Doenças associadas ao esforço físico dos superatletas: insuficiência renal aguda, por causa pré-renal devido à desidratação e também por eventual liberação de mioglobinas por micro-lesão muscular disseminada, esta como uma causa no parênquima renal. A mioglobina, proteínas das fibras musculares, é altamente tóxica para os rins e pode ser muito grave uma insuficiência renal com mioglobinúria. Pode levar a falência renal, necessitando de diálise renal e podendo mesmo ser necessário transplante renal. Gastrite aguda e úlceras gastro-duodenais hemorrágicas podem ser desencadeadas por exercício fatigante. Baixa imunidade, favorecendo infecções oportunistas como viroses, doenças por fungos e mesmo por bactérias bastante resistentes. Anemia também é comum.
O que motiva os superatletas?
São pessoas comuns e que nunca foram esportistas profissionais. Quando começam a participar de provas cada vez mais longas, eles se transformam em “mini-celebridades”. Tornam-se heróis para si próprios e para suas famílias. Seus filhos os estimulam e, na escola, contam que o pai correu 140 km. As esposas por verem os maridos longe do sedentarismo e das farras, apóiam os cônjuges nos treinamentos e provas. No escritório, viram super-homens, Clarks Kents que usam o trabalho para manter o esporte. Os superatletas, que passaram quase a vida toda na obscuridade, de repente, se tornam reconhecidos e recebem elogios e apoio. Para ganhar cada vez mais notoriedade, sempre querem fazer provas cada vez mais longas. Maratona no Pólo Sul, 300 km no Saara, atravessar o Canal da Mancha, atravessar os Estados Unidos em uma bicicleta. A obsessão não tem fim.
Se sentem onipotentes e sempre querem novos desafios ou participar de provas mais longas ou repetir as provas em tempos menores. No fundo, eles sabem que não são esportistas competitivos. Nem entre os masters, a nível regional ou nacional teriam chance de boa classificação. O seu principal objetivo é concluir as provas. Para um superatleta, desistir no meio da prova é a pior coisa que pode acontecer. Sentimento de derrota e falta de capacidade. Derrota para eles é parar ou desistir, melhor seria morrer correndo.
Como conseguem gastar enormes quantidades de calorias, podem comer muito. De 5.000 até 7.000 calorias por dia, sem engordar. Então, tornam-se glutões crônicos. Quando fazem uma pausa dos exercícios, não ficam à vontade, porque continuam a comer muito e assim acham que vão engordar e perder a forma física. Correm, nadam e pedalam muito, mas comem muito e sentem prazer por isso. Aqui, podemos dizer que são hedonistas.
Existem graus variados de vigorexia (dependência ao exercício). Preocupam-se excessivamente com seu corpo. Sempre acham que podem melhorar mais, e ficar com o corpo mais bonito, caso façam mais exercícios ou pratiquem modalidades diferentes como a musculação, por exemplo. São bastante autocríticos e apresentam comportamento narcisista.
Como médico neurologista e psiquiatra, vejo essa forma de praticar exercícios como uma doença. Assim como viciados em sexo ou jogos, os superatletas ficam viciados pela sensação inebriante dos neurotransmissores serotonina, dopamina e noradrenalina, liberados pela prática de muitas horas de esporte. Eles se autoflagelam e se torturam em busca de objetivos que não levam a nenhuma glória. Expõem-se a riscos absurdos apenas para terem um corpo bonito, notoriedade e pelo vício do prazer causado pela busca da euforia. Ficam deprimidos e mal-humorados quando param alguns dias apenas. Negligenciam a vida pessoal, familiar e social, para poderem praticar abusivamente seus esportes.
Na minha opnião, a doença dos superatletas é algo que ainda deva ser bastante estudada. Ainda não foi reconhecida como doença pelas entidades médicas. Hoje existem 55 mil superatletas aproximadamente, no mundo. Este número vem aumentando a cada ano.
Faço um apelo a professores de educação física e preparadores físicos para que não dêem apoio e suporte aos exageros. Pelo contrário, que as desencorajem para tal prática que, além de levar a flagelação e degradação, é uma possível doença clínica, portanto bastante prejudicial à saúde desses esportistas.

Dr. Paulo Vicente de Almeida Médico Neurologista e Psiquiatra
paulovicentecma@uol.com.br

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Atletismo e corrida de rua

Semana passada foi publicado aqui no jornalzinho do condomínio onde moro um texto escrito por mim......
O Atletismo e sua Popularização através da Corrida de Rua


É conhecido e reconhecido por grande parte da nossa população os benefícios que as práticas esportivas podem proporcionar a seus praticantes. A atividade física tem demonstrado possuir efeitos positivos em muitos aspectos do desenvolvimento da performance motora . Nos últimos anos, muitas pesquisas têm verificado que a atividade física habitual de intensidade moderada associa-se positivamente com um prolongado ciclo de vida em comparação com estilos de vida menos ativos ou sedentários. A atividade física auxilia na melhora da força e da resistência muscular, da mobilidade articular e da resistência aeróbia, ajuda no controle de peso, diminui a depressão, reduz o isolamento social e melhora o bem estar, a auto-imagem e a auto-estima além de manter a autonomia das pessoas e servir de proteção parcial contra doenças coronarianas devido à redução dos estoques de gordura e do peso corporal.
Temos visto um grande aumento de praticantes de corrida de rua, pessoas pelos parques da cidade de São Paulo, pelas ruas, em qualquer dia da semana, independente do clima e do horário. Esse aumento de praticantes despertou o interesse de vários segmentos associados ao esporte.
O mercado destinado a esse público acompanhou a demanda aparecendo uma grande quantidade de técnicos com suas respectivas equipes, e personal trainers, sendo que para isso, é necessária a formação em educação física. A forma de trabalho da maioria dos técnicos é similar: o aluno recebe uma planilha de treinos que pode ser semanal, ou até bimestral e treina alternando dias em que está acompanhado do técnico e da equipe e dias em que treina sozinho. O aparecimento de uma grande quantidade de equipes muito provavelmente influenciou no aumento de corredores nos últimos anos, pois as mesmas oferecem toda uma infra-estrutura importante e necessária (na opinião de muitos) para os corredores, tanto nos treinos como nas provas. De qualquer forma parece que o crescimento do número de corredores era inevitável e que foi simultâneo em relação ao aparecimento das equipes. Inevitável pela necessidade que muitas pessoas estão sentindo de ter uma atividade física freqüente, por necessidades médicas, pelo apelo da mídia em ter um belo corpo e pela valorização da saúde que está em evidência nos meios de comunicação. Hoje qualquer meio de comunicação reserva um espaço para a questão da saúde, do corpo, a melhora na qualidade de vida. Nem sempre esse apelo é da maneira mais correta e nem realizado por um profissional adequado, mas no radio e na TV temos com muita freqüência muitas pessoas falando sobre o assunto. As revistas, principalmente aquelas destinadas ao público feminino apelam mais para a questão estética, provocando um estresse generalizado entre as mulheres para que elas alcancem as formas, pesos e medidas estabelecidas como padrões necessários à felicidade. Mesmo assim, grande parte dos corredores amadores continuam treinando isoladamente, os chamados corredores avulsos, sem pertencer a nenhuma equipe, principalmente devido ao custo que isso acarreta em uma modalidade esportiva que a princípio tem um custo muito baixo. Salvo algumas exceções, o custo para um atleta pertencer a uma equipe varia entre 80 a 150 reais mensais, salvo poucas exceções.
Existe também um grande investimento na modalidade por parte dos fabricantes de implementos. Os principais fabricantes de tênis investem alto em tecnologia, conforto e prometem equipamentos seguros. Os mesmos fabricantes também investem em shorts, camisetas, meias, desenvolvendo tecidos adaptados ao esporte e prometendo melhora de qualidade e performance.
Hoje existem quatro revistas especializadas em corridas de rua nas bancas, sendo que há quatro anos havia apenas uma. Elas trazem informações sobre provas que já aconteceram, que estão por vir, entrevistas e normalmente matérias relativas à nutrição, fisiologia e até sugestão de treinos.
A televisão aberta, apesar de muito timidamente, também tem sua participação, já que incentiva e transmite quatro importantes provas do calendário brasileiro. Já nos canais por assinatura é possível assistir a um número maior de provas de rua, provas que chegam ao numero impressionante de 30.000 a 50.000 corredores como, por exemplo, as Maratonas de Chicago, Nova Iorque, Londres, Berlin, além de revezamentos com até 80.000 participantes no Japão. O Japão é um caso atípico, pois são realizadas cerca de 120 maratonas individuais e 350 maratonas de revezamento por ano.
Hoje existem vários sites e fóruns na internet destinados aos corredores amadores, nos quais é possível obter um grande número de informações a respeito do assunto, fazer inscrições on line, tanto para provas nacionais como para provas em outros paises. É possível comprar equipamentos específicos como monitores cardíacos, suplementos alimentares, roupas adequadas, gps e cronômetros.
Agências de viagem se especializaram em viagens destinadas às corridas de rua, oferecendo pacotes específicos para determinadas provas no Brasil e em outros países.
Como podemos perceber, existe grande incentivo à prática da corrida de rua, uma mídia que está empurrando muita gente que nem imaginava praticar a corrida, segmento que promete aumentar ainda mais trazendo milhares de pessoas as ruas das grandes cidades e um grande lucro aos segmentos envolvidos.

No próximo mês continuaremos a abordar esse assunto e falaremos também sobre outros benefícios que a corrida de rua pode nos trazer.

Luis Augusto Vasconcellos
Biólogo e professor de Educação Física





domingo, 28 de outubro de 2007

Como tudo começou...

O meu histórico nas corridas de rua começou Dezembro de 1998, no dia 31/12 , ápós a Coridda de São Silvestre......

Era um final de ano semelhante a todos os outros, o ritual já se iniciando, uma cervejinha pra lá, um cigarrinho pra cá e a TV ligada à espera de mais uma São Silvestre. Como todos os anos, emocionava-se durante toda a semana com as histórias vistas pela TV daqueles menos privilegiados que treinam e se esforçam para participar dessa grande festa. Mas na verdade , ele queria estar lá participando junto com aquela multidão mas sabia que no momento não era possível. Final da prova, banho, mas umas cervejinhas, e foi com a esposa se encontrar com os amigos para a festa de reveillon. Durante os comentários da prova que havia ocorrido à tarde anunciou: vou parar de fumar e correr a São Silvestre no próximo ano. Risadas e chacotas foi o que se ouviu. Chegou a apostar com a esposa , que duvidou mas ao mesmo tempo incentivou. Dia e hora marcada: o último cigarro seria fumado no dia 31 de janeiro de 1999 e a partir do dia 01 de fevereiro iria começar a treinar. Na data marcada fumou seu último cigarro e mais uma vez anunciou: esse é o último. E foi. Começou a treinar no bosque da USP, com muita dificuldade. Demorava meia hora para chegar lá de carro, corria 1 km em 7 a 8 minutos e já tinha que parar. Dores no diafragma, tonturas e canelite eram os sintomas básicos. Foi alternando corrida e caminhada e em pouco tempo estava correndo 20 a 25 minutos sem parar. Inscreveu-se para uma prova de 6 km no Iirapuera, e pronto. Nunca mais parou, e nem fumou. Daí pra SS foi um pulinho, ou melhor uma corridinha. Terminou a SS, foi recebido com muito orgulho pela esposa, e a noite, novamente com os mesmos amigos , celebraram o Reveillon e a promessa feita e cumprida. Daí para a primeira maratona foi fácil, só que desta vez, houve apenas incentivos, sem nenhuma sombra de dúvida que mais esse desafio seria vencido. E assim, foi, uma , duas três..... e nunca mais fumou. A vida mudou, as coisas melhoraram, as pessoas o acharam mais jovem, mais disposto, mais determinado, basicamente elogios e incentivos. Poucos não entendem, não vêem muito valor, acham que é falta do que fazer ou loucura.

As vezes também acho meio loucura, falta do que fazer com certeza que não, pois deixo de fazer muita coisa para poder correr. Uma coisa é certa, a vida mudou muito, muitos amigos novos, gente bonita, com saúde , disposta a viver e a sorrir.

Um abraço a todos
Luis Augusto

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Desenvolvendo sua capacidade de Correr



Se você pretende começar a correr hoje mesmo, não pense duas vezes, porque nunca é tarde para iniciar um programa que resultará em benefícios para sua saúde. Entretanto, saiba quais são suas reais possibilidades e limitações. Se você não tem um histórico esportivo desde criança / adolescente às dificuldades podem ser um pouco maiores, mas nada que um pouco de boa vontade e esforço não possa resolver. Se você sempre praticou alguma atividade física, o início se tornará mais fácil.
O aspecto motivacional é muito importante, trace objetivos possíveis a serem alcançados, como por exemplo, ser capaz de ir até um determinado ponto e voltar, perder peso coma ajuda da corrida, participar de corridas de rua, manter um bom condicionamento físico, aliviar o estresse, etc. Se tiver companhia para os treinos aí então fica mais fácil. Participar de corridas de rua para muitos que não conhecem parece uma coisa meio assustadora, como se nesse tipo de evento só tivessem corredores como Marilson dos Santos, Franck Caldeira, Vanderlei Cordeiro, Paula Radcliffe ou Paul Tergat. Na verdade eles são exceções, pois em qualquer prova de rua temos no máximo 10 candidatos à vitória e todos os outros milhares de corredores são amadores que utilizam a corrida de rua como lazer. Inclusive, talvez esse seja o único esporte em que você pode “competir” ao lado de campeões nacionais e internacionais. Tenho certeza de que você não conseguiria participar de um torneio de tênis no qual tivéssemos o Guga ou o Roger Federer jogando, ou uma partida de futebol com Kaká e Ronaldinho. Portanto, participar desse tipo de evento nos traz alegria de poder praticar um esporte democrático, no qual existe igualdade de condições para todos, o que vai variar é o treino de cada um, o histórico, a genética, etc, mas partimos todos do mesmo ponto e teoricamente nada o impede de vencê-los. Mas o mais importante, sem dúvida, são os benefícios para o corpo e mente e não a classificação na prova.
Hoje em dia é muito comum encontrarmos excelentes corredores com idade mais avançada – acima de 50 anos – correndo tanto quanto um jovem de 20 anos. Se você pensar em se tornar um corredor, e tiver acima de 40 anos, e aconselhável fazer alguns exames iniciais e repeti-los periodicamente. Essa medida é uma precaução contra algum problema que nunca se manifestou anteriormente, e contra aqueles que começam a surgir em idades mais avançadas. Para começar a correr, existem vários métodos que o conduzirão a uma boa condição. Todos eles são baseados em corridas contínuas que podem ser controladas pelo tempo ou pela distância. O importante é não ter pressa, porque a condição aeróbia se adquire em longo prazo, de forma gradual. Se você estiver totalmente fora de forma, poderá utilizar inicialmente o método de corrida intercalado. Corra dentro do seu próprio ritmo, intercalando a corrida com caminhadas, aumentado o tempo de corrida e diminuindo o tempo de caminhada. Em breve você atingirá um estágio em que consegue correr por 30 minutos ininterruptos, independente do ritmo. Este é considerado um índice bom e a partir daí os treinos tornam-se mais fáceis e o progresso mais rápido. Depois, continue aumentando o tempo de corrida, de acordo com suas pretensões. Além da corrida por tempo, você também pode utilizar a corrida de percursos. Para isso, determine uma certa distância inicial, a qual vai sendo aumentada aos poucos.
Um abraço
Luis Augusto